Caminhando com a Palavra: O diálogo de Jesus com Pedro

Neste Caminhando com a Palavra, vamos retomar o evangelho de João, onde é apresentado um diálogo de Jesus com Pedro, cujo tema central é o amor.

No evangelho de João é importante perceber a centralidade do termo amor, principalmente nos capítulos de 13 a 17, no discurso de despedida. O discípulo é convidado a configurar a sua vida a vida do Mestre que chama para a vivência do amor (Jo 15,9), é chamado a permanecer no seu amor, isto é, fazer de sua vida uma obra de amor, um compromisso concreto com os seus: “nisto conhecemos o amor, ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3,16).

No diálogo de Jesus com Pedro descrito no vigésimo primeiro capítulo de João, temos um exemplo interessante a ser analisado.  Nas traduções que temos, o verbo amor não nos coloca em contato com significação original desejada pelo autor, pois não fazemos a distinção do termo. Mas recorrendo ao original do grego percebemos a diferença.

Jo 21,15-17:

“Simão, filho de João, tu me amas (avgapa,w agapao)   mais que estes?”

“Sim, senhor tu sabes que te amo (file,w phileo).”

“Simão, filho de João, tu me amas (avgapa,w agapao)?”

“Sim, senhor tu sabes que te amo (file,w phileo).”

“Filho de João, tu me amas (file,w phileo)?”

“Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo (file,w phileo).”

Percebemos que ao Jesus se dirigir a Pedro, o termo empregado é avgapa,w agapao, mas na resposta dada por Pedro à Jesus é o verbo file,w phileo que foi utilizado. Isso ocorre nas duas primeiras vezes que Jesus pergunta. Na terceira vez Jesus se dirige a Pedro com o verbo file,w phileo, e Pedro aí sim responde com o mesmo sentido contido na pergunta de Jesus.

Estes 3 versículos podem trazer uma enfoque interessante por estarem justamente no texto que é considerado um acréscimo nos evangelho de João. Pode caracterizar a comunidade que não havia entendido o seguimento de Jesus com toda a profundidade que a comunidade joanina vinha realizando. Ao usar a expressão phileo, Pedro (cristãos das igrejas apostólicas) ainda não havia compreendido que o amor a Jesus vai além de uma grande admiração, simpatia, de um gostar, mas, exige um amor profundo, uma amar ternamente, com toda a gratuidade e que é isso que caracteriza o seguimento a Jesus na comunidade joanina.

Irmãos e irmãs, somos convidados a trazer presente este sentido da comunidade do Discípulo Amado nas nossas atitudes e sair do nosso mundinho por vezes egoísta. Felizmente existem pessoas que conseguiram ultrapassar estas manifestações do egoísmo e do egocentrismo. Existe “pessoas que vivem em estado de amor. Para elas tudo o que acontece em torno delas tem um caráter sagrado e maravilhoso. A cada instante são sensibilizadas por pequenos detalhes da vida cotidiana: o passarinho que canta; uma troca de sorrisos com um transeunte; um gesto de carinho para um menino da rua, a solidariedade num mutirão. Para estas pessoas a alegria de viver é ilimitada. Este estado de amor desperta e acompanha uma capacidade criativa impar; nada de condicionamentos e de atos automáticos; tudo se renova. a sua criatividade e seu amor se tornam verdadeira compaixão, pois se coloca a serviço de aliviar o sofrimento e dar alegria a todos os seres.” (Pierre Weil)

Colaboração: Marcos Cunico

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