Caminhando com a Palavra: A missão da Igreja

Na reflexão deste mês, Caminhamos com a Palavra compreendendo melhor nossa missão como Igreja no mundo. A grande missão da Igreja é ser testemunha de Cristo e está estruturada de tal forma que Cristo possa perdurar na História por meio dela.

O ministério da Igreja em sua singularidade

O ser da Igreja não é a estrutura, porém a estrutura é fundamental para a missão de testemunhar Cristo. A Igreja não se fundamenta em si mesma. Ela é vivificada pelo Espírito (1Cor 12,4-9). A Igreja é a primeira beneficiária da presença de Cristo ressuscitado. Esta presença é a condição da vida da Igreja e do testemunho que ela tem o dever de dar. Para que possa viver, cumprir sua missão e permanecer na fidelidade a Cristo, ela precisa dos dons, tanto quanto dos ministérios (Rm 12,7-8; 1Cor 12,28; Ef 4,11).

• Apóstolos – manter viva a memória do mistério pascal;

• Profetas, evangelistas, doutores – tem o encargo de ensinar, de anunciar e d iniciar os fieis no conhecimento da fé;

• Pastores – conduzem os membros da Igreja em função de sua identificação com Cristo.

• Mais tarde outras funções surgem – presbíteros e epíscopos – aos primeiros cabe dirigir a assembleia e  realizar ação pastoral concernente aos costumes da fé; Já os epíscopos tem o dever de velar para que as comunidades formadas permaneçam fieis a Cristo e se tornem mensageiras do Evangelho na sucessão apostólica.

Ministérios e dons em vista da construção do corpo

A igreja que orienta e conduz os fieis ao conhecimento de Cristo, precisa se construir e esta é a finalidade dos dons (Ef 4,13). A Igreja-corpo tem a missão de manter a originalidade que lhe é própria, como sinal da originalidade de Cristo na História. A construção da Igreja é completamente relativa à identidade de Cristo. É à altura dele eu cada membro da Igreja deve crescer (EF4,13). Tem a tarefa de anunciar, mas precisa se renovar sem sessar, a fim de verdadeiramente conduzir o homem ao conhecimento de Cristo.

Presença e abertura ao mundo

A igreja não serve a uma ideologia ou a interesses temporais. Deve estar a serviço de todos, num mundo real, educando seus membros para fazer deles um corpo de testemunhas. Em sua missão enfrentará dificuldades assim como Paulo as enfrentou, porém, cabe a ela proclamar o Evangelho a até o Dia da volta do Senhor. Ela não pode deixar-se aprisionar pelo mundo que gostaria de usá-la para seus propósitos egoístas ou para destruí-la. Por isso ela deve testemunhar o Cristo, se ela não o fizer ninguém o fará em seu lugar, de modo que fracassará na missão que Cristo lhe confiou. A Igreja não pode ficar limitada a um local físico, ou fechada em si mesma. Não pode ocultar ou sabotar a voz de Cristo. O ressuscitado é quem delimita as dimensões da Igreja, e não a Igreja que confina Cristo em seus limites humanos. Sua presença deve ser a presença de Cristo, e assim ter misteriosamente repercussões sobre todo o Universo, pois a ela foi dado o poder de colocar à luz o mistério divino (Ef 3,9-11).

No atual Pontificado percebemos que o Papa Francisco propõe uma Igreja de rosto missionário, isto é, próxima, aberta, capaz de sair de si para ir ao encontro das pessoas por caminhos novos – profecia viva na sociedade do nosso tempo. Reafirma que a atividade missionária representa o maior desafio da Igreja, devendo passar de uma Igreja com pastoral de mera conservação para uma pastoral missionária, deixar o comodismo de lado e se colocar a caminho.

No ultimo item “presença e abertura ao mundo” é mencionado o perigo de transformarmos a Igreja em um corpo alienado às forças do mundo. O Papa na Exortação “A alegria do Evangelho” afirma “a Igreja tem que ser profecia do Reino de Deus, testemunha da sua misericórdia: Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima: hoje e sempre, os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho”… Há que afirmar, sem rodeios, que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos! O papa ainda critica a relação que temos com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades. E propõe uma vigorosa mudança de atitudes por parte dos dirigentes políticos a quem exorta a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano.

Colaboração: Marcos Cunico

 

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