Caminhando com a Palavra: a vocação de Paulo

Viagens de São PauloIrmãos e irmãs em Cristo, estamos no mês vocacional e é muito bom olharmos a vocação de Paulo, a sua caminhada no conhecimento e vivência do AMOR ao projeto de Jesus Cristo.

O Apóstolo Paulo nasceu entre os anos 5 e 10 dC, na cidade de Tarso da Cilicia (At 9,11; 21,39; 22,3).  Era filho de judeus, da tribo de Benjamin e como era o costume foi circuncidado ao oitavo dia. São Jerônimo informa que seus pais eram de Giscala, na Galiléia.

Paulo cresceu seguindo a mais perfeita tradição judaica (Fl 3,5). Tinha uma irmã e um sobrinho que moravam em Jerusalém (At 23,16). Sua profissão era artesão, fabricante de tendas (cf. At 18,3). O seu estado civil também é um tanto incerto, ainda que na maioria das vezes se afirme que era solteiro. De fato, em 1Cor 7,8 ele escreve “Aos solteiros e às viúvas, digo que seria melhor que ficassem como eu”. Mas em 1Cor 9,5 ele escreve “Não temos o direito de levar conosco nas viagens uma mulher cristã, como fazem os outros Apóstolos e os irmãos do Senhor e Pedro?”.

Ainda jovem foi para Jerusalém e, na escola de Gamaliel, se especializou no conhecimento da sua religião. Tornou-se fariseu, ou seja, especialista rigoroso e irrepreensível no cumprimento de toda a Lei e seus pormenores (At 22,3).

Cheio de zelo pela religião, começou a perseguir os cristãos (Fl 3,6; At 22,4s; 26,9-12; Gl 1,13). Esteve presente no martírio de Estevão, cujos mantos foram depositados aos seus pés (At 7,58). Continuou perseguindo a Igreja (At 8,1-4; 9,1-2) até que se encontrou com o Senhor na estrada de Damasco (At 9,3-19).

A experiência de Jesus mudou completamente a sua vida. De perseguidor passou a ser o anunciador até a sua morte, provavelmente em 68 dC. Na sua primeira missão apostólica, entre os anos 45 e 49, anunciando o Evangelho em Chipre, Panfilia, Pisidia e Lacaônia (At 13-14), passou a usar o nome grego de Paulo de preferência a Saulo, seu nome judaico (At 13,9).

Era um homem bem preparado, além de conhecer bem a sua religião (o que pode ser comprovado pelas muitas citações ao AT), possuía boas noções de filosofia e das religiões gregas do seu tempo. Em Tarso, sua cidade natal, havia escolas filosóficas (dos estóicos e cínicos) e também escolas de educadores.

Encontrou dificuldade para ser aceito como Apóstolo. As suspeitas vinham do fato de ter sido um perseguidor e sobretudo porque não foi escolhido pessoalmente por Jesus. Quatorze anos após a sua conversão, subiu a Jerusalém, para o Concílio, onde defendeu a não circuncisão para os pagãos.

Ele mesmo se defendeu das acusações (Gl 1,12, 2Cor 9,2-3; 12,1-4). Para ele, anunciar o Evangelho era uma obrigação: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (cf. 1Cor 9,15-17).

Em sua incansável missão de anunciar o Evangelho, Paulo sofreu muito, mas não desistiu.  Ele mesmo relata algumas das situações difíceis por que passou: “Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado.  Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto-mar. Fiz numerosas viagens. Sofri perigos nos rios, perigo dos ladrões, perigos por parte de meus irmãos de estirpe, perigos dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos dos falsos irmãos! Mais ainda: fadigas e duros trabalhos, numerosas vigílias, fome e sede, múltiplos jejuns, frio e nudez!” (2Cor 11,23b-27).

Teve que lutar contra os falsos missionários (cf. 2Cor 10-12) que anunciavam um Evangelho fácil, que fugiam da humilhação e da tribulação.  Anunciavam um Jesus sem a cruz. Paulo anunciava o Jesus Crucificado, ainda que isso fosse escândalo  (1Cor 1,23). Porém a cruz não era o fim.  O mesmo Jesus da cruz é também o Jesus Ressuscitado (1Cor 15).

Desejo que este mês seja propício para que cada um de nós reflita e reze a sua vocação como discípulo e missionário de Jesus Cristo.

Colaboração: Marcos Cunico

 

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