Caminhando com a Palavra: os Atos dos Apóstolos

pentecostOlá, queridos que acompanham o Caminhando com a Palavra. Na reflexão deste mês vamos trilhar os caminhos do livro dos Atos dos Apóstolos.  Temos dois bons motivos para esta escolha: primeiro – é um livro que determina festas litúrgicas importantes para a Igreja como a Ascensão do Senhor Jesus e Pentecostes; segundo – é o livro que estamos estudando na Escola Bíblica da paróquia.

A obra lucana (3º Evangelho e os Atos dos Apóstolos) tem uma unidade e uma continuidade, se complementam e se iluminam reciprocamente. Assim, os Atos não podem ter correta interpretação e entendimento, se desligados do Evangelho de Lucas. Esta ligação fica clara no prefácio dos dois livros (Lc 1,1-4; At 1,1-2) ambos dedicados a Teófilo, e especialmente o dos Atos que remete ao evangelho de Lucas.  O final do evangelho (Lc 24,44-49), que liga a vida de Jesus com a missão dos discípulos  é retomado em Atos 1,8. Enquanto o Evangelho de Lucas “apresenta o caminho do Messias, isto é, a renovação da Aliança, a chegada do Reino e a revelação da vontade do Pai, Atos descreve o caminho da Palavra, anunciada e vivida pela Igreja, chamadas a testemunhar Jesus no mundo inteiro. As comunidades são guiadas pelo Espírito que é a continuação da presença de Jesus em meio às suas igrejas.” (As comunidades Cristãs a partir da segunda geração pag.44 – Gass, Ildo Bohn)

Algumas pistas para melhor compreender o que os autores de Atos pretendiam ensinar às comunidades:

  • Aceitação de pessoas de outras culturas – há uma insistência em dizer que Deus não faz acepção de pessoas (At 10,34-35). O objetivo é ajudar as pessoas de origem judaica a não mais considerar impuras as outras culturas. Somente assim poderiam participar lado a lado nas comunidades com pessoas estrangeiras.
  • As pequenas comunidades passam a ocupar um lugar importantíssimo na formação deste “Novo Israel” – aos poucos a casa vai substituindo o santuário, nas reuniões de comunhão fraterna, na oração, na fração do pão e dos bens (At 2, 44-45; 4,32.34-35).
  • Outro objetivo desta obra era mostrar para as pessoas que trabalhavam no Império Romano que também elas poderiam participar das comunidades cristãs. Os autores tentam amenizar o conflito entre cristãos e o império, inclusive apresentam as autoridades romanas como simpáticas e favoráveis aos cristãos (13,12; 16,19-40; 17,6-9; 18,12-17; 19,35-40; 21,31-40; 22,24-29; 23,10; 23,25-30; 25,25-27; 27,3.43).
  • Partilha como condição para participar na vida da comunidade – nas comunidades havia ricos e pobres, e os autores advertem e exortam os ricos para partilharem seus bens aos pobres (At 4, 32; 5,11). Assim, as comunidades foram substituindo antigas práticas da hierarquia social que criava dependência e submissão (Lc 22, 25), por práticas de solidariedade e partilha que gera vida e dignidade.

Por fim, não podemos esquecer que este Caminho da Palavra e do Testemunho acontece na força do Espírito Santo. Em Atos aparece 54 vezes o termo Pneuma, referindo-se ao Espírito Santo. Desde o cenáculo, as pessoas ficam cheias do Espírito Santo (At 2,4), nas comunidades (At 4,31), na Judéia, Galileia e Samaria (At 9,31). Vários pentecostes acontecem (2,1-13; 10,44-48; 19,1-7).

Assim como nas primeiras comunidades, nós queremos nos deixar guiar pelo mesmo Espírito que animava Jesus, que é dom de Deus, que desce com força (1,8), traz paz, consolação e alegria às comunidades (9,31; 13,52).

Colaboração: Marcos Cunico

Leia mais

Share